Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
O Flamengo encaminhou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um documento de 65 páginas contendo 66 propostas para transformar o futebol brasileiro nos próximos anos. O material foi elaborado pela diretoria rubro-negra e aborda temas como calendário, arbitragem, infraestrutura, marketing, segurança, governança e sustentabilidade financeira.
Segundo o clube, o objetivo é contribuir ativamente para a modernização do esporte no país e ampliar a participação econômica do futebol brasileiro, fortalecendo sua competitividade no cenário internacional. A projeção apresentada pelo Flamengo é elevar a contribuição do setor para o PIB nacional até 2035, gerando mais investimentos, empregos, receitas e valorização da indústria do futebol.
Confira os principais pontos do projeto:
Calendário: menos jogos, horários fixos e pausa de inverno
O Flamengo entende que o calendário atual está entre os principais problemas do futebol brasileiro. Para o clube, o excesso de partidas, as frequentes mudanças de horário e os conflitos com as Datas FIFA prejudicam o desempenho dos atletas, a organização dos clubes e a experiência dos torcedores.
Entre as sugestões apresentadas está a adoção de horários fixos para as partidas ao longo da temporada:
- Terças, quartas e quintas-feiras: 19h e 21h;
- Sábados: 16h, 18h e 20h;
- Domingos: 16h e 18h (17h e 19h durante o verão).
O documento também propõe uma pausa técnica anual de 21 dias durante o inverno, permitindo melhor recuperação física dos atletas e planejamento esportivo dos clubes.
Outra medida defendida pelo Rubro-Negro é a suspensão de todas as competições nacionais durante as Datas FIFA, garantindo um intervalo mínimo de 72 horas entre o retorno dos jogadores convocados e a realização das partidas.
Além disso, o Flamengo sugere reduzir a participação dos clubes das Séries A e B nos campeonatos estaduais e em fases preliminares de torneios nacionais e continentais, diminuindo o desgaste ao longo da temporada.
Tempo de jogo: tecnologia e profissionalização da arbitragem
No campo esportivo, o clube propõe uma série de medidas para aumentar o tempo efetivo de bola rolando e melhorar a qualidade das decisões de arbitragem.
Entre as sugestões estão:
- Implementação do impedimento semiautomático;
- Tecnologia de confirmação de gol;
- Sistemas automatizados para verificar saídas de bola;
- Recursos tecnológicos para auxiliar decisões sobre faltas dentro ou fora da área.
O Flamengo também pede rigor maior no combate a práticas que interrompem constantemente o jogo, como simulações, cera, reclamações excessivas e pressões sobre árbitros.
Outro ponto importante é a profissionalização integral da arbitragem brasileira. O clube defende dedicação exclusiva para árbitros, VAR e assistentes, além de planos de carreira, capacitação permanente e avaliações constantes de desempenho.
O documento ainda propõe que as principais decisões do VAR sejam divulgadas após os jogos, acompanhadas de explicações técnicas para aumentar a transparência junto aos torcedores.
Segurança: fim da torcida única e estádios mais modernos
Na área da segurança, o Flamengo apresenta propostas que buscam melhorar a experiência do torcedor sem abrir mão do controle dos eventos.
Uma das principais medidas é o fim da política de torcida única nos clássicos, com incentivo à criação de setores mistos e familiares em estádios das Séries A e B.
O clube também sugere:
- Sistema nacional integrado de banimento para torcedores violentos;
- Ampliação da biometria facial em todos os estádios;
- Integração dos sistemas de identificação com órgãos de segurança pública;
- Padronização da venda e precificação de ingressos.
Além disso, o Flamengo propõe maior liberdade para manifestações das torcidas, incluindo uso controlado de bandeirões, instrumentos musicais e sinalizadores em momentos específicos de pré-jogo.
Infraestrutura: gramados sintéticos na mira
Uma das propostas que mais chama atenção envolve os gramados utilizados nas principais competições do país.
O Flamengo defende que os clubes das Séries A e B adotem exclusivamente gramados naturais híbridos, considerados padrão internacional. Na prática, a medida reduziria gradualmente a utilização dos gramados sintéticos no futebol brasileiro.
O projeto prevê ainda:
- Licenciamento obrigatório de estádios e centros de treinamento;
- Fiscalizações periódicas das condições dos gramados;
- Padronização da iluminação em LED;
- Ampliação da acessibilidade;
- Instalação de Wi-Fi nas arenas;
- Criação de zonas mistas em padrão semelhante ao utilizado pela UEFA.
Marketing: transformar o Brasileirão em um grande produto
O documento também dedica atenção especial à valorização comercial do Campeonato Brasileiro.
Entre as propostas estão a criação de um evento oficial para lançamento da competição, com participação de atletas, treinadores, patrocinadores e influenciadores, além de ampla cobertura da imprensa.
O Flamengo ainda sugere:
- Tratamento especial para jogos considerados premium;
- Construção de narrativas esportivas e rivalidades ao longo da temporada;
- Calendário pensado para maximizar audiência;
- Ampliação das premiações individuais e coletivas;
- Produção de conteúdos oficiais integrados entre clubes e competição;
- Fan zones e ativações nacionais para aproximar torcedores do campeonato.
Êxodo de talentos: manter os jovens por mais tempo no Brasil
Preocupado com a saída precoce de atletas para o exterior, o Flamengo propõe mecanismos que incentivem a permanência dos jovens talentos no futebol nacional.
Entre as medidas estão:
- Criação de incentivos financeiros aos clubes formadores;
- Programas de educação e desenvolvimento esportivo;
- Certificação nacional para clubes que investem na formação;
- Plataforma nacional de scouting;
- Ações para ampliar a exposição internacional dos atletas atuando no Brasil.
Governança: mais transparência e mudança no rebaixamento
No setor de governança, o Flamengo propõe regras mais rígidas para evitar conflitos de interesse entre clubes, investidores e grupos econômicos.
Uma das sugestões prevê impedir que um mesmo grupo empresarial exerça controle ou influência significativa sobre dois clubes da mesma divisão.
O documento também defende:
- Auditorias independentes;
- Regras de transparência mais rigorosas;
- Participação ampliada dos clubes nas decisões estratégicas;
- Código de conduta para dirigentes e atletas;
- Modernização dos regulamentos esportivos.
Outro tema importante é o modelo de rebaixamento. O Flamengo sugere reduzir gradualmente o número de equipes rebaixadas na Série A.
A proposta prevê:
- Três rebaixados diretos em 2027 e 2028;
- Playoff entre o 18º colocado da Série A e o 3º colocado da Série B;
- Apenas dois rebaixamentos diretos a partir de 2029.
Situação financeira: fair play e apoio aos clubes
Por fim, o documento traz propostas voltadas ao equilíbrio financeiro do futebol brasileiro.
Entre elas estão:
- Criação de um mecanismo de compensação logística para clubes que percorrem maiores distâncias;
- Aprimoramento das regras de fair play financeiro;
- Combate ao uso excessivo da recuperação judicial;
- Refinanciamento condicionado à responsabilidade fiscal;
- Fiscalização mais rigorosa de investidores e controladores de SAFs.
O Flamengo também sugere discutir novos formatos de comercialização dos direitos comerciais e de transmissão das competições nacionais, buscando aumentar as receitas de forma sustentável.
Com o envio do documento, o Rubro-Negro se coloca como participante ativo do debate sobre o futuro do futebol brasileiro e defende uma série de mudanças estruturais que, segundo o clube, podem tornar o esporte nacional mais forte, competitivo e atrativo dentro e fora do país.
Pedro Sampaio – Narrador, repórter e apresentador esportivo há 7 anos, fundador do portal Pedro Sampaio. Amante do Futebol.
