Foto: Rodrigo Corsi / Ag.Paulistão
Em uma reação forte e coordenada, o futebol brasileiro acendeu o sinal de alerta máximo. Federações e clubes de diversas divisões — divulgaram uma nota oficial conjunta intitulada “O Fim do Futebol Brasileiro”. O documento faz uma dura apelação ao Poder Público contra eventuais mudanças abruptas nas regras de regulamentação do mercado de apostas esportivas no país.
Segundo o manifesto, a perda ou limitação drástica dos patrocínios de empresas de apostas autorizadas pode gerar um colapso financeiro sem precedentes, afetando desde as potências continentais até, principalmente, os clubes do interior e de menor orçamento.
O impacto direto no interior e nas categorias de base
Embora as marcas de apostas estampem os maiores uniformes do país, o comunicado faz questão de frisar que a receita das bets tornou-se vital para a sobrevivência do futebol raiz.
- Sustentabilidade dos menores: Para agremiações com menor exposição comercial e que disputam divisões de acesso, não há hoje no mercado outro setor econômico capaz de suprir essa receita imediatamente.
- Projetos em risco: Cortes nessa verba ameaçam diretamente o custeio do futebol feminino, a manutenção de Centros de Treinamento e a formação de novos talentos nas categorias de base.
- Risco de insolvência: O texto alerta que a quebra de contratos vigentes e o encerramento do modelo atual podem levar dezenas de equipes à falência.
Alerta para o retorno do mercado clandestino
Outro ponto de destaque na nota é o aviso sobre o risco de retrocesso. Segundo o posicionamento das entidades, proibir ou estrangular o mercado regulado não fará com que o torcedor pare de apostar — apenas o empurrará para plataformas ilegais.
“Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites e não colaboram com as autoridades”, diz o documento.
A FPF e os clubes destacam que foi justamente a regulamentação estatal que permitiu o combate à lavagem de dinheiro, a criação de mecanismos de proteção aos vulneráveis e a redução drástica nos casos de manipulação de resultados no país.
Futebol se coloca à disposição de Brasília
O setor encerra a nota afirmando que entende a responsabilidade social do tema e se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional e de autoridades estaduais e municipais para criar campanhas educativas e aprimorar a fiscalização.
A mensagem final deixa clara a posição das diretivas futebolísticas: o combate deve ser focado nas empresas clandestinas, e não no desmonte do mercado formalizado.
“O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba”, concluiu a pagina oficial da Federação Paulista em suas redes sociais.
Pedro Sampaio – Narrador, repórter e apresentador esportivo há 7 anos, fundador do portal Pedro Sampaio. Amante do Futebol.
